quarta-feira, 3 de junho de 2015

CARTA PARA BIBIANA

Santa Maria, 03 de Junho de 2015. Querida filha Bibiana Saraiva Pedrotti Machado, Que lindo hein? Já sabes ler agora! Parabéns! O mundo é teu agora, pois saber é poder!Resolvi escrever essa carta pra ti, mesmo antes de tu nascer, porque queria te contar como são (ou eram, né?) as coisas por aqui quando tu veio ao mundo. Primeiro, deixa eu te explicar o que é uma carta. As pessoas antigamente escreviam suas novidades em uma folha de papel, colocavam em um envelope, colavam um selo na frente e mandavam pelo correio para seus amigos e parentes que moravam longe. Hoje em dia, escrevemos e-mails, mandamos mensagem de texto no celular, Whatsapp e Messenger para nos comunicarmos com os outros que estão longe ou perto mesmo. Podemos ligar de um celular, ou smartphone, que também tira fotos, grava vídeos, tem joguinhos, armazena e toca músicas, entre tantas outras coisas... Por falar nisso, o que é que tu usas pra falar com a gente no futuro, hein? "A gente", nesse caso, significa tua mãe Eliane, a Lilly, tua irmã, Louise, a Loo e eu, teu pai, Junior. Nesse ano que tu nasceu, tua mami tem 28 anos, está no terceiro ano na faculdade de Pedagogia (a mesma que a vó Eva Pedrotti fez) e está muito, muito feliz com a tua chegada! A maninha Louise tem 21 anos, está no terceiro ano da faculdade de Psicologia e é muito estudiosa e dedicada! Eu, o teu papi, tenho 40 anos, já estudei bastante e agora trabalho no Colégio Militar, gosto muito de atividade física e estou super empolgado com a nova baby da família! Tua mãe adora tomar mate, andar a cavalo, gosta de conversar e de visitar nossos parentes. A Louise gosta muito de música, de dança com coreografias e de filmes, além de saber tocar flauta! Eu gosto de andar de bicicleta nos morros da volta da nossa chácara, a LaPedrera, gosto muito de ler e de ver filmes. Toco violão e gosto de cantar também. Tua mãe, a maninha e eu crescemos em Lavras, onde moram os teus avós. Eu vim morar em Santa Maria primeiro, depois veio a mana pra estudar e depois a mami, quando casou comigo e fomos todos morar na chácara. Eu amo de montão essa tua mami, sabia? Ela é uma pessoa super especial, única! Ela não só cuida muito bem de ti como também tá sempre preocupada se eu estou bem. Muitas vezes a gente diz "eu te amo" um pro outro!!! A gente gosta tanto um do outro que resolveu fazer um nenê lindo, que é tu! A gente mora numa casinha no condomínio já faz um ano agora. Fica bem pertinho do clube Dores, que tenho certeza que tu vai adorar. Até o ano passado, nós morávamos na chácara. Era bem legal, com o arroio, as árvores e os bichinhos. A gente veio pra cidade porque aqui tem mais conforto e também é mais seguro, mais perto de tudo, do trabalho, da escola e do shopping. Vamos na chácara nos fins de semana, limpamos tudinho, cuidamos do jardim com a grama e as flores. Às vezes a gente faz churrasco com os amigos. No inverno, sempre tem nozes, laranjas e bergamotas de montão! Adoramos ir lá, sempre que possível. Tua mami e eu planejamos um dia voltar a morar lá fora, que tu achas, gosta da ideia? Dá pra ter um cachorrinho ou um gato! O teu nome quem escolheu foi a mami. Ele é inspirado em uma personagem de um livro muito importante pros gaúchos: "O Tempo e o Vento". A Bibiana do livro é uma mulher forte, bem corajosa e que cuida da família. Todos aqui em casa adoramos ler livros e revistas. Agora que tu já sabe ler e escrever, tu pode até escrever estórias de aventuras na chácara! Os teus sobrenomes são assim: os Saraiva são uma família enorme espalhada em Lavras e Bagé, descendentes de Espanhóis que vieram pro Uruguay e para o Brasil. Os Pedrotti são poucos, em Lavras, por exemplo, só tem tu e a tua maninha. São descendentes de Italianos, vindos de uma região chamada Trento, norte da Itália (teu tataravô veio de lá). Já os Machado são uma família enorme, descendentes de Portugueses, espalhados em todo o Brasil. Depois te conto mais sobre a história da nossa família, tem muita coisa interessante! Eu teria mais um montão de coisas pra te contar, mas isso fica pra depois, quando a gente estiver tomando mate juntos! Te amo, minha filha, mesmo antes de te conhecer. Teu pai, Junior.

domingo, 17 de agosto de 2014

Velocidade máxima

"Cada vez mais as pessoas abdicam de muita coisa pra comprar carros sempre melhores, pra ficar cada vez menos tempo dentro deles..."

domingo, 29 de junho de 2014

Velhos adolescentes

Quando pequeno em Lavras, certo dia me dei conta de que a maioria dos meus amigos e colegas do colégio eram um ano mais velho do que eu, nascidos em 1974. Isso fez com que eu sempre prestasse atenção em idades de modo geral. Assim, já faz algum tempo que ando ligado no assunto dos 40 anos. Essa atenção tem a ver com as mudanças que observo, seja em comportamento de consumo, de alimentação, de relacionamento, etc. Vamos dizer que observo a vida dos adultos, em comparação à adolescência, incluída aí a pré e a pós adolescência, em especial porque trabalho com esses em sala de aula. Paro e penso sobre o que vejo na TV, nos comerciais, filmes, novelas, na Internet, etc. Uma mudança bastante visível é a afobação. Adultos são menos afobados em quase tudo. É quando comemos mais devagar, degustamos alimentos diferentes para tentar apreciar os diferentes sabores e texturas. Buffet por quilo e à La carte X buffet livre e rodízio de pizza para ver quem comeu mais fatias. Começa a fase do vinho em taças comedidas em oposição às cervejas contabilizadas uma a uma para competir com os amigos sobre a quantidade tomada. Perdem lugar os porres homéricos, os fiascos e ressacas relatados com certo orgulho e ganham espaço os pileques onde sabemos exatamente quando parar. Vinho versus cerveja. Vinho se degusta em taças, na maioria das vezes pela metade. Sem pressa. Prestando atenção no processo. Tentando aprender algo. Qualidade. Cerveja se bebe em fardos, apressadamente para dar efeito logo, ficar mais solto e abordar a mulherada, ou facilitar a abordagem e depois, “bora” pro que interessa mesmo. Quantidade. É na fase adulta que o sexo fica mais quente, mais demorado e intenso e onde a cumplicidade a dois proporciona o que o casamento enquanto instituição tenta, mas não consegue, que é quando dois se tornam um só. Uma mulher especial, que recebe toda a dedicação de um marido especial versus a quantidade de beijos diferentes durante mais um carnaval em Laguna, Rio de Janeiro ou Salvador. O rápido e afobado em comparação ao lento e apreciado. Igual ao fast food em comparação ao slow food (joga no Google que tu vai gostar). Estados Unidos X Europa. Mais uma comédia rápida sem noção de colegiais americanos versus um filme francês ou italiano sobre a essência ou a tragédia humana. Cedemos menos às tentações de agradar aos outros comprando o que os outros têm, de seguir a moda dos outros, de fazer o que a maioria está fazendo. Realiza comigo: Tu PRECISA da oitava calça jeans? Do décimo quinto par de sapatos? De cento e cinquenta e sete canais de TV? De um novo celular que faz tudo, menos fritar pipoca, em menos de um ano? Da terceira TV? Algumas pessoas, é claro, “precisam” de tudo isso. Outras desapegam, pra usar um termo da moda, e se voltam para o que importa mesmo. Geralmente essas pessoas já são adultas, no sentido completo do termo. Hoje em dia, há muitos adultos ainda adolescentes, talvez pela facilidade da economia estável, que permite a exarcebação do consumo de mais e mais. Ostento. Gabo-me. Exibo-me. Mostro na rede social. Só tenho, não sou. O dia que não tiver, não serei. Prato pronto pro analista e crise existencial. Midlife crisis.

domingo, 15 de junho de 2014

#NAOVAITER?

1) Com o crescente fenômeno da migração de indígenas de suas reservas no interior do Brasil em busca de trabalho em áreas urbanas, surge um problema até antes não observado em termos de moradia, sabe por quê? #NAOVAITEROCA 2) É fato o consumo elevado de bebidas nessa época de mundial, não só alcoólicas, mas também um aumento considerável no consumo de refrigerantes, o que ameaça o tradicional churrasco de domingo, que é praticamente uma instituição nacional, sabe por quê? #NAOVAITERCOCA 3) Com a chegada do mundial, os brasileiros mais entusiasmados investiram pesado na aquisição de melhores e maiores televisores e também com a ampliação da área destinada ao conforto durante a assistência aos jogos, bem como a região da casa destinada à preparação dos alimentos necessários para esse tão importante evento. Entretanto, outras áreas da residência se sentem prejudicadas nesse processo, sabe por quê? #NAOVAITERCOPA 4) É inegável que, após anos e anos de matança desenfreada, a população de animais silvestres do nosso pampa gaúcho tem sido dizimada a números bastante reduzidos. Dentre as espécies mais procuradas estão os veados, jaguatiricas, leões-baios e, obviamente, os tatus, os mais ameaçados... sabe por quê? #NAOVAITERTOCA 5) A região mais setentrional do planeta, onde se localizam os territórios banhados pelo oceano ártico, encontra-se ameaçada pela caça indiscriminada de animais marinhos e terrestres. É lá que habitam os ursos polares, algumas espécies de baleias, leões-marinhos, etc. Turistas que para lá se dirigem, em especial os amantes da fotografia encontram-se preocupados com essa realidade... sabe por quê? #NAOVAITERFOCA 6) Não só turistas anônimos, mas também celebridades do mais alto escalão estarão presentes durante os jogos do mundial do Brasil. Artistas de Hollywood, personalidades da política mundial, e, é claro, ex-jogadores de futebol. Um personagem, entretanto, ameaça ausentar-se: é o caso do ex-crack (...) Diego Armando Maradona. Sabe por quê? #NAOVAITERCOCA 7) A produção pecuária brasileira, depois de um período pujante e desenvolvimentista, encontra-se ameaçada pela baixa taxa de reprodutividade de algumas espécies animais, em especial os suínos, sabe por quê? #NAOVAITERPORCA 8) É cada vez mais comum o consumo de alimentos industrializados em festas de aniversário, fornecidos por empresas especializadas na organização desse tipo de evento. Longe vai o tempo em que a mãe do aniversariante, ou algum outro membro da família, preparava o alimento para os festejos na hora do tradicional “parabéns a você”, sabe por quê? #NAOVAITERTORTA 9) Com o crescente interesse dos turistas pelo turismo rural do estado gaúcho, cresce em igual proporção o consumo de alimentos típicos da serra, produzidos por descendentes de imigrantes europeus, orgulhosos de sua cultura. Dentre esses produtos, podemos citar os queijos, vinhos, salames, etc. Entretanto, o item 7 dessa lista, que aponta para a redução na produção de suínos, explica também um outro fenômeno que ocorre nesse contexto, sabe por quê? #NÃOVAITERCOPA. 10) E quanto ao amigo leitor que nos acompanhou durante essa série de informações de extrema utilidade, esse deve estar se perguntando: E a copa? A do mundo? Não só vai ter, como já está tendo, sabe por quê? #NAOVAITERVOLTA

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Temperatura na casa dos cinco graus

A temperatura estava na casa dos 5 graus hoje de manhã na chácara. Durante o dia a temperatura dá uma passeada e geralmente visita a casa dos seus vizinhos, pois sua casa fica entre a casa dos 4 graus e a dos seis graus. A casa dos 5 graus fica localizada num bairro bem agitado no inverno, quando às vezes a temperatura visita uma casinha beem pequena, a da família Menos: menos 1 e menos 2. Já no verão, a região que bomba mesmo é aquela onde ficam as casas da família Trinta, com as casas da temperatura de 35 graus, que se enfileiram numa rua até o Rincão dos 40, onde o troço ferve mesmo! Esse bairro das casas dos 40 graus não fica lá fora, fica localizado perto do centro de Santa Maria, um bairrinho bem incomodativo, cercado pelos prédios e o concreto armado e onde muitas casas têm ar condicionado.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Morar no campo

LaPedrera, 25 de abril de 2014. Hoje faz pouco mais de três anos que vivemos na chácara. Uma pequena área na estrada do Baú, localidade conhecida como Rincão dos Minelos, entre Santa Maria e Itaara. Essa chácara fica na beira de um arroio denominado Arroio Pinhal, que tem leito rochoso, aliás, toda a área tem muitas pedras, daí o nome. O riacho apresenta água cristalina, transparente mesmo, na maior parte do tempo, com exceção dos dias chuvosos, quando recebe muita água dos morros que circundam a região, o que deixa a água turva por um dia ou dois. Esse nome, “LaPedrera”, foi escolhido por mim, um pouco pela característica do solo, onde raramente se consegue cravar uma pá ou uma estaca sem encontrar uma pedra e, em segundo lugar, por causa de um prédio com esse nome, que conheci em Barcelona, obra do arquiteto catalão Antoni Gaudi, cuja obra mais famosa, creio eu, seja a Igreja da Sagrada Família, ainda em construção, apesar de ter sido iniciada no final dos anos 1800. Decidi então fazer essa homenagem às artes, que me encantam, e à natureza, que me atraiu pra cá. Sempre fui bastante racional e foi com base nesse racionalismo que decidi vir morar aqui. Fiz algumas contas e percebi que não sairia mais caro morar no que é meu, porém longe do centro da cidade. Pagar o aluguel de um apartamento sai mais caro do que o gasto a mais de combustível. O preço que não muda é quase nunca ter um carro limpo, devido aos 7 km de estrada de terra que, sem chuvas, trazem poeira e, com chuvas, trazem o barro. Nada que uma lavada de mangueira rápida não resolva. Água, aliás, proveniente de uma nascente aqui pertinho, de graça, sem custo e sem culpa, se usada demais. Morar numa casa alugada seria mais caro que o apartamento e provavelmente longe do centro e cercado de grades, cerca elétrica, etc. Muita gente diz que “...quando se aposentar vai comprar uma chácara...”, mas eu sempre fui um cara meio precoce. Juntei uma grana, peguei um tanto emprestado e comprei a chacrinha. Quando pequeno, tive bastante contato com o meio rural em Lavras. Meu pai tinha uma pequena propriedade no interior (sim, Lavras TEM interior, apesar de ser uma cidade pequena), mas a vendeu. Minha mãe adorava esse contato com a natureza, fora criada no campo, tal como meu pai. E eu, durante muito tempo, lia os anúncios de jornal sobre áreas rurais até o dia que fui atrás de um, visitei a área do que hoje é LaPedrera e me apaixonei. Amor à primeira vista, mesmo. Chamo aqui de LaPedrera porque sempre sonhei em ter um lugar assim, que receberia um nome, nunca concebi a pessoa morar num lugar no campo que não tivesse um nome. Pra mim, é como se eu me referisse a uma pessoa, que já faz parte da história da família e veio pra ficar. Em LaPedrera, fui e tenho sido muito feliz com minha esposa e minha filha. Morando aqui, trabalhamos e estudamos na cidade, tudo isso sem prejuízos. Às vezes, chamamos os amigos para fazermos churrascos, em especial no verão, quando dá pra nadar no arroio. Denominei esses eventos de “Traskifest”, funcionando assim: “traz – ki – eu – asso”, ou seja, cada um traz sua festa e a gente celebra junto. Facilita um monte pra quem organiza, recomendo. Os amigos vêm, trazem a gurizada criada na cidade e a diversão é garantida! Em LaPedrera, além da mata nativa, temos também bergamoteiras, laranjeiras, limoeiros, caquizeiros, nogueiras pecã, abacateiros, araucárias, cedros, pinheiros, uma mangueira, um pé de araçá e, é claro, flores. Essas dão algum trabalho porque não temos muita área ensolarada por causa das árvores, que são muito altas e que produzem muita sombra, ótimo no verão. Temos testado diferentes tipos de flores e algumas, aparentemente, têm dado certo. Temos até uma horta, pra alguns temperos colhidos na hora do almoço do fim de semana. Com espaço amplo, temos apenas um cachorro e dois gatos. O cachorro é criado solto, só prendo na corrente quando saio pra pedalar porque se não faço isso, ele me acompanha. Com trajetos acima de 50 km, minhas trilhas de bike não são exatamente um “passeio” pra ele. Thor, esse cão que é responsável pelo SPP, “Serviço de Proteção Patrimonial”, falha miseravelmente com sua função: passa mais filando uma comida caseira nos vizinhos do que de plantão aqui! Eu, se fosse cachorro, faria o mesmo, pois aqui em casa geralmente damos ração, o que não é páreo para uma comidinha feita com gordura e sal e que, se der sorte, vem até quentinha, desde que o garoto saiba a hora de chegar sem ser convidado... Os gatos dão um capítulo à parte. Dia desses, na hora do almoço, fizemos as contas e chegamos ao número de, no mínimo, 16 gatos que já trouxemos pra cá. Os que trouxemos adultos fugiram no primeiro dia ou no primeiro minuto mesmo. Boas risadas. Os felinos responsáveis pelo CPR, “Controle de Pragas Rurais” que trouxemos ainda filhotes, ou foram roubados, adotados por vizinhos, se perderam ou entraram pra cadeia alimentar de alguma maneira que desconhecemos. Temos alguns casos pitorescos a respeito dos gatos... Teve um que apareceu dentro de uma sala de aula do Colégio Militar, onde trabalho. Estava espirrando muito (nunca tinha visto gato espirrar) e foi medicado, mas acabou indo passear nos arredores da chácara e não voltou mais. Uma gata siamesa, muito linda de olhos azuis, levamos conosco pra passar férias em Lavras. Chegando lá, deixamos dentro de um galpão, com água e comida. Depois de um dia ou dois, conseguiu fugir e adeus, tia Chica. Um dia qualquer eu estacionei no trabalho (25 km distante de casa) e escutei um miado. Procurei um pouco na volta da camionete e encontrei o filhote embaixo do capô, alojado numa fresta perto do farol, simplesmente inatingível... Fiquei preocupado, como que o bicho tinha se metido ali? E como havia conseguido ficar quietinho sem cair? Sem conseguir tirá-lo dali, fui trabalhar e, depois de tentar outras vezes durante o dia, sem sucesso, voltamos pra casa no fim do dia, com o danado ali dentro ainda! Durante a noite ele se sentiu calmo pra sair. No outro dia de manhã, tivemos que inspecionar o carro antes de sair, costume que temos até hoje: sempre temos que saber onde estão os gatos antes de ligar a camionete... A experiência, para o filhote, foi demais, pouco tempo depois ele nos abandonou também. A cada tanto, os gatos que sim permaneceram apresentam resultados positivos, caçando algum camundongo, cobra ou passarinho, cadeia alimentar em andamento, enfim, tudo em seu lugar. O clima aqui é ótimo! Adoro o frio. Aqui sempre está alguns graus mais frio do que na cidade. Em vista dos verões escaldantes de “Sauna Maria”, quero dizer, Santa Maria, é perfeito! Uma salamandra de ferro fundido e um fogão campeiro, alimentados com lenha daqui mesmo, resolvem romanticamente a questão da calefação. Quanto ao calor, não temos ar condicionado, por pura falta de necessidade mesmo. Só ventiladores e olhe lá! Dormimos com janelas abertas e o ar fresco noturno geralmente abrevia o tempo do ventilador ligado. Já tivemos enchentes que estragaram as estradas, o que tornou a ida para a cidade “com emoção”... Nada demais, alguns minutos a mais de trajeto, somente. Um probleminha é a umidade e o mofo. Sempre temos que arejar bem a casa, senão o bicho pega. Temos recursos tecnológicos que facilitam a vida, como por exemplo, o telefone! Sim, pega celular, mas só num lugar, perto da janela da sala, saiu dali, fica improvável... Sem internet (porque optei por não ter web rural), não temos a ansiedade de consultar a cada minuto as atualizações das redes sociais e sobra tempo pra conversar, ler um livro, cuidar do jardim, etc. Pega sinal de TV, mas só com parabólica... Enfim, morar no campo traz uma paz interior, uma tranquilidade que não se encontra na cidade. Faz com que tu leve a vida com menos pressa, menos congestionamentos, menos estresse e mais qualidade. Te dá mais tempo de apreciar a natureza que te rodeia, os pássaros (tucanos, periquitos, gralhas, caturritas, etc.) que vem comer as frutas, os amigos que visitam pra um mate, o ritmo dos dias que passam e que se organizam de um jeito que não é controlado pelo relógio... Morar no campo te aproxima mais de quem criou tudo isso e te dá mais saúde para aproveitar.

segunda-feira, 31 de março de 2014

AS PULGAS

Era uma vez um urso marrom, que morava num parque nacional canadense, pertinho da fronteira com os Estados Unidos. Sua alimentação basicamente consistia de peixes que ele pateava pra fora dos rios e lagos do parque, além daquilo que ele encontrava nos acampamentos dos humanos, restos deixados inadvertidamente e que serviam de alimento para o nosso amigo urso. Gaia, vamos chamá-lo assim, era enorme e vez ou outra encontrava, outros ursos que vagueavam pelo parque à procura de alimento ou de companhia. Gaia, como qualquer animal silvestre, funcionava como um ecossistema ambulante, se alimentando de peixes e animais menores, sobrevivendo, adubando o solo com seus restos (que eufemismo...) e carregando consigo as estrelas dessa estória: as pulgas. Ah, as pulgas... Elas habitavam por todo o corpo de Gaia, não havia lugar onde não se enfiassem. Gaia não sabia da existência das pulgas, apenas sentia a presença delas, sob a forma de um incômodo aqui e ali. Como acontece com outros animais que carregam pulgas, Gaia tentava em vão coçar para se livrar daquela perturbação. Fazia isso geralmente se esfregando no chão, contra alguma árvore, mordiscando seu pelo freneticamente, em ações que sempre conseguiam amenizar aquela chateação, matando algumas pulgas, mas sem encerrar o problema em definitivo. Depois de cada coçada, as pulgas geralmente se aquietavam, choravam os mortos sem entender bem o que acontecia e seguiam suas vidas pequenas no pulguedo. Pulgas raramente refletiam sobre as coisas que aconteciam com elas e tampouco tinham noção de que habitavam um ser vivo e não uma casa, por exemplo. Quando se alimentavam, nesse caso, do sangue de Gaia, estavam causando pra ele um certo desconforto, mas como não pensavam muito no que estavam fazendo, não sabiam que o incomodavam. Algumas pulgas tinham a noção do que estava acontecendo e sabiam que dependiam de Gaia para viver. Sabiam também que, de certo modo, incomodavam o seu hospedeiro. Mas, como não podiam fazer nada a respeito, nada faziam. Com o tempo, essas pulgas perceberam as azaradas que morriam esmagadas pertenciam a pulguedos onde o consumo de sangue do pobre Gaia era exagerado, eram gordas as pulgas que mais incomodavam! Tentaram alertar as pulgas fominhas que se, quem sabe, reduzissem seu apetite, pudessem escapar das vigorosas coçadas que Gaia, de vez em quando e sem aviso prévio, dava. Não escutaram. O resultado era que, cada vez que Gaia se coçava, o corpo inteiro sacudia e se rebolcava e, como isso, mesmo os pulguedos formados na sua maioria por pulgas tranquilas se sacudiam para lá e para cá, matando habitantes que nem estavam incomodando. Gerações e gerações de pulgas se sucediam no lombo de Gaia, que continuava a vaguear naquele imenso parque, no topo da cadeia alimentar. Entretanto, tudo que vive, morre, como manda o ciclo da vida. Um belo dia, o velho Gaia, já com idade avançada, procurou sua caverna entre as rochas para hibernar e dormiu por um longo período. Sem se coçar e ficando quietinho, Gaia permitiu que a população de pulgas aumentasse enormemente, cobrindo seu o corpo de feridinhas. Esses machucados permitiram que micróbios e bactérias entrassem na pele de Gaia, ocasionando nele uma série de infecções, que se espalharam e causaram a morte do velho urso marrom em apenas alguns dias. Alheias ao que tinha acontecido, as pulgas só notaram que algo estava errado quando tentaram se alimentar e não conseguiram. Acharam que era algo passageiro e aguardaram um pouco. Como nada acontecia, abandonaram Gaia na busca de uma nova morada. Algumas conseguiram pegar carona em ratos e outros roedores pequenos que por ali circulavam, mas a maioria esmagadora ficou sem alimento e morreu. As que sobreviveram aprenderam a lição e me contaram essa estória, que hoje relato para vocês. Gaia é o planeta Terra e as pulgas, somos nós.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

POEMA CANÇÃO DO ANAURÉLIO

Tinha uns 15 anos de idade e escrevi isso (o ritmo é da Canção do Exílio): Canção do Anaurélio Minha terra tem ocalito, d'embaxo eu fumo oliú, bem perto tem até pesco, campos de Lavras do Sul. - De vereda eu já me deito, logo despois do almoço, ocalito é meu leito, trabissêro no pescoço. - Si de tardi eu m'incontro, de valde a lagarteá, no ocalito m'encosto ao tronco, um paiêrio a desfiá. - Minha terra tem figuera, onde canta o jacú, marrecão à riviria, e de lambuja tem tatu. - Se prá proseá tenho sanche, não dexo patrão na mão, lidano filiz e prosiano, té o caroço da questão. - Pros istudo num dei certo, num quiria istudá, mas si vejo a inxada perto, me atraco a capiná!

sábado, 12 de outubro de 2013

DICAS PRA UM PEDAL LEGAL

Após algum tempo pedalando uma MTB e vendo coisas dando errado e outras muito certo, resolvi fazer um check-list tranquilo e beleza pra ajudar a organizar uma trilha joinha, sem sobressaltos. A ordem das dicas é aleatória. Não precisa fazer tudo, mas tudo tem um porquê... 1. Vá acompanhado, é muito melhor e pode salvar tua vida. Deixa pra pedalar sozinho no rolo, vendo TV; 2. Leve duas câmaras reserva. Teste elas antes, enchendo e procurando por furos que tu não sabia que tavam ali. Enrole-as bem e prenda com uma argola de borracha que tu fez cortando uma câmara velha; 3. Leve um kit para reparo de pneus; 4. Leve alimentação, tipo barra de cereal, pra ti e pros outros. Se eles tiverem levado tb, tu pode comer mais! 5. Leve um documento pelo menos, de preferência o cartão do teu plano de saúde; 6. Leve algum dinheiro (algo como o equivalente ao preço de uma câmara...) pra comprar rapadura ou refri, etc. (depois de 40km, tu merece); 7. Leve o teu celular carregado (não deixe no carro...) e com créditos, dentro de um saco plástico; 8. Use uma bandana. Serve de tipoia pra fraturas, gaze pra ferimentos, contém o suor da tua cuca pra não ir na cara, dá pra bancar o cowboy e se proteger da poeira, etc.; 9. AVISE alguém aonde vai e não mude os planos (assista o filme “127 horas” e tu vai entender...); 10. Lubrifique a corrente da bike antes de sair e tá de bom tamanho; 11. Leve um canivete multi-uso e aprenda a usá-lo ANTES de ir pro pedal, inclusive como emendar correntes; 12. Aprenda a trocar/consertar câmara ANTES de te largar pra trilha. Treine em casa e dê preferência pra pneus que tu pode tirar SEM espátulas e/ou pneus sem câmara (tubeless); 13. EU levo um tanto de fita silver tape, enrolada na bombinha, pode me chamar de exagerado; 14. Ah, leve bombinha; 15. Leve água... 16. Algumas braçadeiras de plástico, tipo zip-tie, podem ser úteis, já vi serem usadas em situações extremas; 17. Não dispense capacete, luvas e óculos; 18. Use filtro solar (Bial) e/ou repelente contra insetos; 19. Ande sempre na mão de trânsito, mesmo que seja num estradão deserto; 20. Seja sempre educado e cortês com os moradores rurais, tu pode precisar deles um dia...

domingo, 28 de julho de 2013

Um dia de sol.

As melhores coisas da vida são, sem dúvida nenhuma, de graça. Tu podes te aquecer na beira de uma lareira, de um aquecedor elétrico, sob o sol do Caribe ou sob o sol de Lavras (que é o mesmo sol!). Sentir frio e resolver o problema com uma boa lagarteada é um dos exemplos da gratuidade da felicidade. Se aquecer em Gramado, Bariloche ou em Aspen custa caro, é bom, mas não necessariamente garante a felicidade, aliás, nada garante nada nessa vida. O valor de um banho quente e de uma toalha seca independe da quantidade de fios que tem o roupão e se é egípcio ou chinês. Num dia frio como os dias de inverno das Lavras, quando tu encontras um lugarzinho com sol e sem vento, não importa a qualidade do banco, cadeira ou sofá. Nós, gaúchos, ainda contamos com o chimarrão (que é tipo dum sol líquido, pra quem não conhece) pra nos aquecer. De novo, tanto faz se a bomba é de prata, se a cuia é gravada com iniciais no ouro ou é um simples porongo sem luxo. O valor das coisas não reside no quanto custam para comprarmos, como se tudo pudesse ser comprado, mas sim no quanto de felicidade nos trazem.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

A ESCOLHA DO REI - FINAL

O rei agora poderia deixar de governar para se tornar um simples lenhador do vilarejo, disse o soberano. A rainha, claro que detestou tudo isso... Mas e a rainha? Que atitude tomou quando soube que iria ter que deixar toda a vida de luxo e riqueza para trás? Bom, veja a seguir: A rainha, possessa de raiva pela atitude do marido, recusou-se a sair do castelo. Refugiou-se na torre mais alta e lá permaneceu por alguns anos, escondida. Um belo dia de primavera, resolveu fazer um passeio na carruagem real para arejar um pouco a mente. Pediu ao condutor que passasse pelos vilarejos que circundavam o castelo. Durante o trajeto, teve a mesma impressão que o então rei tivera no começo da história: de que as pessoas podiam ser felizes com pouco e de que a felicidade pode estar nas coisas mais simples. Estava um dia quente, ela teve sede e ordenou o condutor que parasse e pedisse água numa casa. Era a casa de um lenhador, mas isso já é outra estória... José Ferreira Machado Junior contou essa estória. Escrito entre às 10h da manhã e às 14:30 da tarde, em uma tarde de outono (14 de abril) de 2013, em LaPedrera, Rincão dos Minellos. A inspiração, o click inicial, veio durante um recital de música clássica na TV senado. Só tenho parabólica.

sábado, 29 de junho de 2013

A ESCOLHA DO REI parte VII

Aos poucos, ela se deu conta que o pretendente que dançava com ela era, na realidade, o rapaz que havia recebido o pai dela com o melhor tratamento possível, independente do fato de ser rei e ficou encantada com suas palavras. O mundo à volta deles deixou de existir por um momento e parecia que estavam a sós no salão. Então, a hora da decisão chegara: Os dois pretendentes iriam se declarar para tentar encantar a princesa, anunciou o rei. Primeiramente falou o plebeu, depois o príncipe. Porém, durante a fala do príncipe, a princesa não se movia, não piscava, sequer esboçava reação alguma. Tinha a expressão fixa, como um olhar congelado. Tal fato deixou a audiência preocupada, teria a princesa sofrido um mal súbito? Teria sido enfeitiçada por alguma bruxa disfarçada entre os convidados? Após alguns minutos de preocupação, a bela jovem enfim falou. Não ouviu palavra alguma do que o príncipe havia dito. Estava encantada com estória e com a declaração do jovem filho do lenhador. O mundo parou de girar para ela durante aqueles segundos que preocuparam a todos, mas ela estava bem. Seus olhos agora brilhavam como estrelas, sentiu uma forte emoção no peito e faíscas surgiam de todos os lugares frente aos seus olhos! O encantamento do plebeu havia feito com que ela se apaixonasse perdidamente por ele. A escolha estava feita! Se casariam e seriam felizes para sempre! Dito isso, o rei se levantou e proclamou o rapaz como noivo de sua filha e também herdeiro do trono, para espanto da rainha! O rei agora poderia deixar de governar para se tornar um simples lenhador do vilarejo, disse o soberano. A rainha, claro que detestou tudo isso...

quarta-feira, 19 de junho de 2013

VERGONHA NA CARA

Dia cinzento aqui na boca do monte. Há um ar de suspense sobre o que vai acontecer na cidade durante os protestos programados para amanhã e sábado. O grito dos insatisfeitos e indignados. Vamos ter de lembrar pra polícia não gritar também, ou estão satisfeitos? São pagos para ir contra a própria vontade. Queriam mesmo é estar junto, lutando por mais vergonha na cara. Coisa que se aprendia em casa e hoje nem se aprende mais. Deixaram pra escola ensinar – a tal vergonha na cara – e cobram dela, porque pagam, “então não é assunto meu, sacas? Pago e não me incomodo, a escola faz o trabalho, o tablet eu já dei e o videogame foi a mãe que deu” (tocou pra avó entupir ele de doce e porcaria, que come enquanto “aprende” na Internet, o tal do nativo digital, acham a coisa mais linda ele usando o "tábreti" e não enchendo o saco dos papis) .... putz. E a escola, com o conteúdo para ensinar e o “aprender a aprender,” tem ainda que ensinar boas maneiras pra criatura, que não sabe agradecer, não sabe pedir licença pra nada, não pede por favor, não respeita os mais velhos e, quando cresce, vira um traste desses que governam o país agora. Cara, eu teria vergonha de algumas coisas que a porcalhada da classe política faz (com, infelizmente, raríssimas exceções), o tipo de vergonha que o cara fica com o rosto vermelho, quando sabe que tá fazendo algo errado, entendeu? Dá uma raiva... Cada vez mais frequentemente eu assisto telejornais (AIS) pra me informar e me pego dizendo: “...isso é sério?” A redegrobo mostrando as obras pra copalhaçada, os pião jogando bola no intervalo, as entrevistas com os “jogadô”. O pior de tudo é que os outros canais da TV aberta seguem a mesma rotina agora, tudo é copalhaçada! Me interno na TV Escola da parabólica ou no Canal Rural, que é melhor que as macaquices do governo, as galinhas e piranhas do funk e jumentos do congresso. Putz.

terça-feira, 18 de junho de 2013

PROTESTAR É PRECISO

Muito bom ver o povo brasileiro acordar de vez e fazer alguma coisa! Chega de ser rotulado pela mídia como adoradores de futebol que são incapazes de pensar. “O Brasil é o país do futebol!” “O brasileiro é apaixonado por carro!” O Brasil isso, o brasileiro aquilo, que saco! Ficam tentando estereotipar o povo e depois se apavoram do resultado! Lá na gringa – lá fora – o pessoal acha que a gente é só samba, carnaval, mulher pelada, futebol (putz...), índios e calorão... Tu é assim? Tu anda de cocar? Escreve um samba por dia? Arrrghhh! ... o marido (pançudo, barba por fazer, imbecilizado, torpe pela cerveja que a propaganda que prometia uma loira gostosa lhe ofereceu minutos antes) assiste o futebol das quartas na TV que todo mundo V (putz...), a “patroa” (apressando a louça, ou deixando um pilha pra depois) assiste a novela da mulher aquela, do cara aquele (que se tu não assiste, as pessoas te tratam como alienígena, e, te digo, é bem legal ser tratado assim!), as crianças na Internet (fazendo o quê, Dio Santo???) sem ninguém pra tomar conta, tão “ocupados” os dois trastes que nem querem saber... Arrrghhhh! O povo que tá saindo nas ruas tá certo mesmo, tem que gritar bem alto, fazer barulho e mostrar pro mundo todo que aqui ainda existe seres pensantes (respeitando o patrimônio alheio, é claro, pois isso não aumenta o protesto, só criminaliza o troço). Chega de canalhice dos governos, de tudo que é partido de antes e de agora, bando de ladrão descarado. Levaram o centro do poder pro centro do país pra fugir dos protestos do povo que vive no litoral, tomaram choque os podres, pois a onda chegou lá também! Levaram um cagaço com aquele povo todo subindo pelos telhados do congresso! Massa!!! Estádios de primeiro mundo e escolas de terceiro mundo???? Claro, abestado! Pão e circo!!! Tá ligado??? Experimenta fazer escolas de primeiro mundo e estádios porcarias, pra tu ver como muda o troço!!! Um bando de gente que enxerga a realidade e questiona tudo ia tomar as ruas, mas só que não em forma de protestos, pois não seriam necessários. Melhores escolas!!! Mais teatros!!! Mais apresentações artísticas ao ar livre!!! Mais arte nas ruas!!! Estádios de primeiro mundo e hospitais que mais parecem pós - guerra??? Claro, burro! Se não for assim, como vai ser pra manter os planos de saúde privada e a indústria farmacêutica ricos??? Com o país cheio de gente saudável, hein, hein??? Experimenta melhorar fortemente a qualidade dos hospitais e do cuidado preventivo da saúde da população através do incentivo à alimentação adequada e da prática de atividade física em locais públicos (nossas praças, nossos parques... putz.) pra ver o que acontece... Tá loco, cara! Arghhhh! Cada Arghhhh acima corresponde a uma quase síncope de indignação, só não tenho um treco porque to vendo a coisa acontecer e quero ficar até o final da festa!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Ciclos da Vida - Life Cycles

Um dia, um tempo atrás, eu não passava de uma ideia na cabeça de duas pessoas que se amavam muito e me amavam antes de eu ser. Hoje eu sou e um dia não serei mais. Nada além de uma lembrança (boa, espero) na cabeça de algumas pessoas. Lei do Universo. Simples assim. Fato inexorável. Apenas vivo e me esforço para fazer valer a pena a distância entre os dois dias acima. O contato com a natureza me faz ver que tudo é transitório, tudo é cíclico, dois ciclos, duas rodas, perfeito. Vivo isso tudo com muita intensidade. Simples assim.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A ESCOLHA DO REI parte VI

Enfim, chegou o dia tão aguardado do torneio. Os participantes, fardados com brasões de famílias reais ou com roupas simples, se revezavam nas provas de habilidades de guerra, combatendo sob os aplausos ou vaias da plateia, que era composta por gente de todos os cantos do reino e de reinos vizinhos. Alguns pontuavam mais na espada, mas menos na lança, mais no controle do cavalo, mas menos no arco e flecha. Aguardada mesmo era a prova final: o encantamento! Essa etapa teria pontuação acima das outras e reservava à princesa o direito de escolher o pretendente mais romântico e merecedor de seu amor. Após muitas disputas apertadas, O próprio rei anunciou os dois únicos candidatos que se classificaram para a prova final, que concederia o amor da princesa e o trono do reino: Um príncipe de um reino vizinho e o filho do lenhador! A maioria das pessoas não acreditava no que seus olhos revelavam naquele momento! Um plebeu na disputa pelo coração da princesa! E um plebeu bonitão ainda por cima! A prova final só seria disputada durante o baile da corte, para o qual seriam convidados somente os participantes finalistas, além dos outros convidados tradicionais das festas reais. Na abertura do baile, a princesa teria a oportunidade de dançar com os dois pretendentes e, logicamente, de conversar para poderem se conhecer melhor. Durante a dança, a conversa com o príncipe girou sobre seus domínios, suas posses e suas aventuras como cavaleiro. Ao final, pareceu à princesa que o pretendente era bastante fútil e superficial. Ao dançar com o filho do ferreiro, um pouco contra a vontade, por sinal, a princesa escutou dele a sua estória de vida que, apesar de diferente da dela, continha muitos pontos em comum. O amor à natureza, às amizades sinceras, o desapego pelas coisas materiais e o apreço pelo mundo mágico da leitura encantavam os dois. Aos poucos, ela se deu conta...

sábado, 1 de junho de 2013

A ESCOLHA DO REI parte V

Teve então a ideia mais genial de todas: o participante que ganhasse o torneio, casaria com sua filha, assumiria o trono e trocaria de lugar com o rei triste. Assim sendo, pensou, ele viraria um campesino e desse modo se tornaria uma pessoa feliz, como eram os plebeus. Contou sua ideia para a rainha e para sua filha, porém para a rainha, omitiu a parte da troca de lugar com o ganhador e também aquela que permitia a qualquer jovem participar do torneio. A rainha adorou e já saiu tomando decisões quanto ao baile onde seria anunciado o ganhador, quem iria ser convidado e que vestido novo ela usaria... A novidade correu rápida pelo reino e por reinos vizinhos e os jovens pretendentes ficaram muito animados com a dupla possibilidade de se casar com uma bela princesa e se tornar soberano de toda aquela região. O torneio incluiria não só provas de manejo de espada e de lança, mas também uma novidade para a época, o encantamento. O pretendente deveria encantar a princesa com as palavras mais lindas e ternas que alguém poderia imaginar, numa declaração de amor sem igual – ideia da princesa, diga-se de passagem. Ela queria alguém que fosse merecedor de seu amor, mas fazia questão de que fosse alguém romântico. Enfim, chegou o dia tão aguardado do torneio...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A ESCOLHA DO REI, parte IV

Seguindo seu caminho, o rei parou outras tantas vezes para conversar e aprender um pouco sobre o modo de vida daquela gente. Por fim, resolveu retornar ao castelo. Ao chegar, foi recebido pela rainha furiosa com a atitude do soberano, saindo sozinho a mercê dos perigosos plebeus, segundo ela. Contemporizou que havia usado um disfarce e que não havia sido descoberto, mas de nada adiantou, a rainha estava colérica! Para tentar amenizar a situação, lembrou daquilo que a rainha mais gostava: os bailes da corte com convidados e teve uma ideia: realizar uma grande festa com convidados ilustres a fim de apaziguar a rainha. A rainha não parava de gritar, como era típico de uma rainha colérica. O rei, cansado de sua vida real, sabia que precisava fazer algo definitivo, queria mudar radicalmente sua vida. Conversando com sua filha, contou-lhe de sua aventura disfarçada e de como foi bem recebido pelos felizes plebeus de seu reino, em especial pela família de um lenhador que, mesmo sem saber que conversavam com um rei, trataram aquele visitante como se um nobre fosse. Foi então que uma outra ideia passou por sua cabeça, uma que ia resolver todos as suas angústias de uma só vez: lançar um desafio entre jovens cavaleiros ou não – aí uma novidade para a época – que daria como prêmio a mão de sua filha em casamento e, como consequência, o trono do reino. Só havia um detalhe: Como poderia haver dois reis ao mesmo tempo? Teve então a ideia mais genial de todas:

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A ESCOLHA DO REI parte III

...então num belo dia de primavera, resolveu fazer um passeio a cavalo pelos campos, mas para espanto de sua guarda pessoal, decidiu ir sozinho, pois precisava refletir sobre sua vida e seus problemas. Foi a cavalo porque não conseguia caminhar muito tempo, devido a longas horas sentado no trono, recebendo as pessoas que o procuravam com seus problemas, sendo rei, enfim. Colocou um disfarce, pois não queria chamar a atenção e poder pensar sossegado. Durante o trajeto, observava atentamente os plebeus que trabalhavam nos vilarejos. Apesar do rigor dos seus ofícios, pareciam felizes e bem dispostos. Isso o deixou desconcertado: como aquelas pessoas podiam ser tão felizes se tinham que trabalhar arduamente? E o pior, trabalhavam não somente para si, mas também para sustentar toda a corte real através de impostos! Ferreiros, agricultores, costureiras, padeiros, açougueiros, lenhadores e outras tantas ocupações se revezavam no caminho do rei. Um lenhador cortava toras de madeira à beira da estrada, quando o rei disfarçado parou para iniciar uma conversa despretensiosa sobre o preço da lenha. O lenhador estava acompanhado de seu filho mais velho, que o ajudava nas tarefas. Seu filho era forte e agradável ao olhar. O lenhador era igualmente forte, como exigia a profissão. Tinha uma filha também, era viúvo e criava seus filhos sozinho. Era feliz com aquilo que fazia e esmerava-se em educar os filhos para serem pessoas boas e gentis, o que transpareceu imediatamente no tratamento que o rei disfarçado recebeu de todos. Contou sua estória de vida para aquele estranho, de como havia superado suas dificuldades após ficar sozinho com as crianças pequenas e do quanto conseguiu se realizar como pessoa. Seguindo seu caminho,

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A ESCOLHA DO REI parte II

Aliás, foi durante um desses eventos com cavaleiros visitantes, que o rei, na época príncipe, havia encontrado a sua esposa, que era filha de um rei de outro reino, não muito distante dali. Com o casamento, as terras de ambos os reinos se juntaram e o rei tinha então mais propriedades para si. Por fim, havia a princesa. Era linda, cabelos loiros e longos e já tinha passado dos seus vinte e poucos anos, o que para a época, já era mais que na hora de casar. Naquela época, costumeiramente só os filhos homens poderiam herdar o trono, então o rei tinha uma situação delicada, um dilema por assim dizer. Abdicar do trono em favor de sua filha não era proibido, mas não seria visto com bons olhos perante os plebeus, que era como eram chamadas as pessoas simples que habitavam as terras do rei. Para complicar as coisas, a princesa, desde sempre educada para ser esposa, não tinha as características necessárias para governar um reino todinho só para ela! E sem saber governar, reinos vizinhos poderiam atacar para tentar tomar as terras e quem sabe até transformar aquela região rica em parte de algum outro soberano, que poderia ser um tirano malvado. Realizar um torneio e convidar os jovens príncipes dos outros reinos poderia ser a solução, mas o rei precisava pensar e estava triste. Tinha tudo o que queria, todo o luxo, as melhores comidas, a melhor diversão, mas estava triste...